| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Leo Cunha - Literatura infanto-juvenil
Desde: 22/12/2003      Publicadas: 217      Atualização: 28/05/2015

Capa |  Biografia de Leo Cunha  |  Entrevistas  |  Fortuna Crítica  |  Galeria  |  Livro a Livro  |  Notícias  |  Oficinas  |  Opinião  |  Poemas Animados  |  Prêmios  |  Teoria  |  Todos os Livros  |  • Contatos


 Entrevistas

  17/04/2006
  0 comentário(s)


Cada um encontra o seu caminho

Entrevista publicada em abril de 2006 pelo Jornal Laboratório Impressão,
do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH).

Cada um encontra o seu caminho
Repórter Leandro Diniz

O escritor e professor do UNI-BH Leo Cunha é autor de mais de 30 livros e já vendeu mais de 1 milhão de exemplares. Em 2003 lançou o primeiro deles, "Pela Estrada Afora" que, atualmente, está na 18ª edição. Formado em Comércio Exterior - sem, entretanto, ter exercido a profissão - e em Jornalismo e Publicidade pela PUC-MG, o mineiro de Bocaiúva mudou-se ainda criança para Belo Horizonte e, desde pequeno, se diz um apaixonado pela literatura. Fez pós-graduação em Literatura Infantil pela PUC-MG e mestrado em Ciência da Informação pela UFMG.

Na carreira jornalística, começou como redator de alguns jornais de empresa e, mais tarde, foi cronista dos jornais "O Tempo" e "Hoje em Dia". Seus livros já receberam os principais prêmios da literatura infantil e juvenil do país, como o Nestlé, Jabuti, João de Barro, FNLIJ, Adolfo Aizen, entre outros. Atualmente lecionada, no curso de jornalismo do UNI-BH, a disciplina "Jornalismo Cultural", matéria oferecida no 6º período. Também faz parte do corpo docente do IEC, onde leciona no curso de pós-graduação a disciplina "Introdução à Crítica de Arte".

Leo Cunha conta que, desde 1991, foi a todas as Bienais do Livro, tanto do Rio como de São Paulo. Em algumas, foi como visitante, mas, na maioria, foi mesmo para lançar seus livros ou participar de mesas-redondas. Recentemente, lançou na 19ª Bienal Internacional de São Paulo o livro "Lápis Encantado", obra que reúne vários poemas com um tema em comum: as cores. Pai de Sofia (foto), Leo Cunha conta como surgiu essa sua paixão pela leitura e como é escrever e ser professor em um país como o nosso.

Jornal Impressão: Você se lembra de quando e como foi o seu primeiro contato com a literatura?
Leo Cunha: Meu contato com a literatura começou desde muito pequeno. Minha mãe sempre contou histórias e leu livros para mim. Eu fiz o mesmo com a minha filha: leio histórias, poemas e canto para ela desde que ela estava na barriga da mãe. Tenho a convicção de que isso aprimora não apenas o lado intelectual da criança, mas principalmente sua sensibilidade e sua desenvoltura nas diversas linguagens. Digo isso sem nenhuma base científica, baseado apenas em minha fé na arte.

Jornal Impressão: O que você costumava ler quando criança?
Leo Cunha: Eu lia de tudo, porque minha casa tinha uma biblioteca imensa. Minha mãe tinha mais de 10 mil livros em casa. Hoje a casa dela tem mais de 25 mil. Me lembro de ler os contos de fada, depois os livros do Lobato, livros de aventura, mistério, humor, poesia, quadrinhos... de tudo um muito.

Jornal Impressão: Qual a importância dos pais para o hábito da leitura?
Leo Cunha: O exemplo dos pais é fundamental. Não adianta a criança escutar apenas o discurso, a frase-feita "ler é importante". Ela tem que ver os pais, tios, avós lendo e curtindo a leitura, para ver que, mais do que "importante", ler é um prazer, uma diversão, um encantamento.

Jornal Impressão: Qual foi o seu caminho até chegar ao Jornalismo?
Leo Cunha: Quando terminei o 3º científico, não tinha a menor noção do caminho a seguir. Me inscrevi nos vestibulares de Arquitetura na Federal e Medicina na Faculdade de Ciências Médicas. Felizmente não prestei nenhum dos dois, pois fui fazer intercâmbio nos EUA.
Quando voltei, um ano depois, influenciado pelo intercâmbio, resolvi fazer vestibular para Comércio Exterior e Economia. Comecei a cursar estes dois cursos, mas logo percebi que não tinha nada a ver comigo. Então troquei a Economia pelo Jornalismo, curso que eu adorei desde o primeiro dia. O curso de Comércio Exterior, por incrível que pareça, eu terminei. Foi o meu primeiro diploma superior, e nunca me serviu para nada.

Jornal Impressão: Você tem contabilizado quantos poemas já escreveu? Em recente entrevista, você disse que muitos deles vão para o lixo. O que há neles para a desaprovação?
Leo Cunha: Não sei quantos poemas eu já escrevi. Publicados eu tenho cerca de 200. Com certeza já descartei uns mil. Nem sempre vão pro lixo, costumam ficar empoeirando numa pasta do computador, até que eu resgate uma estrofe, um verso, ou nem isso, uma metaforazinha, pra aproveitar em outro poema.

Jornal Impressão: Entre os seus livros, qual deles é o seu xodó?
Leo Cunha: Tenho alguns xodós. Vou citar três.
- "Clave de lua" por ser um projeto lindo, um livro-cd com poemas musicados por três feras: André Abujamra, Luiz Macedo e Renato Lemos, e ilustrações de outro mestre, Eliardo França. Ganhou vários prêmios aqui e até na França.
- "Pela estrada afora", por ser meu primeiro livro, meu primeiro prêmio, e até hoje o mais editado (está atualmente na 18ª edição).
- "Vendo poesia", pela minha coragem, ou cara-de-pau, de fazer um livro do início ao fim: texto, ilustração, projeto gráfico, tudo. Entreguei o livro pronto na editora.

Jornal Impressão: Como é o seu processo de escrita? Como você elabora um livro?
Leo Cunha: Meu processo de escrita é caótico. Escrevo diariamente, mas 2 ou 3 livros ao mesmo tempo. Atualmente, por exemplo, estou fazendo um livro de poesia, uma narrativa infantil e uma coletânea de crônicas. O que nunca varia é a minha mania de reescrever cada texto muitas vezes. Corto aqui, mudo ali, deleto, rabisco, começo de novo. Como dizia o Quintana, um texto ter que ser escrito muitas vezes para parecer que foi feito de uma vez só.

Jornal Impressão: O que você diz da juventude de hoje quanto ao hábito da leitura?
Leo Cunha: Não sou muito pessimista quanto ao nível de leitura da criançada e dos adolescentes, hoje. Acredito que a Internet fez mais bem do que mal, no que se refere aos hábitos de leitura e escrita. A TV e a Internet são as menores culpadas nessa história. São veículos, acima de tudo, e a gente é que veicula coisas piores ou melhores nelas.

Jornal Impressão: Enquanto professor, como você avalia o nível dos alunos no que diz respeito à bagagem literária que trazem de casa?
Leo Cunha: Claro que a bagagem literária (e para falar de forma mais abrangente, a bagagem cultural) varia muito de aluno para aluno. Cada um tem uma história escolar e familiar diferente. Alguns têm pais analfabetos ou que estudaram muito pouco. Alguns estudaram em escolas com pouquíssimos recursos. O professor precisa relevar algumas coisas. Ainda assim, parto do princípio de que o professor deve preparar sua aula tendo em mente os bons alunos. Os outros, se quiserem e se sentirem estimulados, vão correr atrás do prejuízo.

Acho que a formacão do hábito e do gosto pela leitura passam muito pelo exemplo dos professores. Quem já foi aluno meu sabe que eu faço questão de falar dos livros que eu gosto, de ler em voz alta para a turma os textos que me empolgam. Acredito que faz alguma diferença na forma como os alunos vêem a leitura.

Jornal Impressão: Há fórmula para ser um bom escritor e para um bom jornalista?
Leo Cunha: Não acho que exista uma fórmula para ser bom escritor, bom jornalista ou bom professor. Cada um encontra o seu caminho. Mas é fundamental gostar do que se faz e acreditar na importância daquilo.

Jornal Impressão: É difícil escrever em um país de terceiro mundo? Dá para viver de literatura no Brasil? O que fazer?
Leo Cunha: Poucos escritores brasileiros vivem somente de seus livros. Dá pra contar nos dedos. A maioria é também jornalista, ou professor, ou publicitário, enfim, tem alguma carreira paralela. No meu caso, já publiquei mais de 30 livros, já vendi mais de um milhão de livros, e mesmo assim preciso do porto seguro que é a minha carreira docente. Por sorte, é uma carreira que também me dá muito prazer e alegrias.





  Mais notícias da seção Literatura no caderno Entrevistas
28/05/2015 - Literatura - Entrevista ao programa Inconfidências
Entrevista sobre minha carreira, livros e ideias....
19/02/2014 - Literatura - Entrevista ao blog Leiturinhas
Leia a entrevista concedida à blogueira Carla Kühlewein, sobre minha carreira literária e, claro, minhas "leiturinhas" desde criança....
31/10/2013 - Literatura - Entrevista ao programa Universo Literário, da UFMG Educativa
Está no ar a minha entrevista à jornalista Rosaly Senra, na qual falamos sobre diversos livros (e põe diversos nisso!)- Haicais para filhos e pais (poesia)- Era uma vez à meia-hoite (contos)- O reino adormecido (teatro)Quem quiser ouvir é só visitar o link:www.ufmg.br/online/radio/arquivos/004239.shtml...
06/10/2013 - Literatura - Entrevista ao programa "Leituras", da TV Senado
Assista à entrevista na íntegra:...
08/10/2012 - Literatura - Entrevista para o Sobrecapa Literal
Fui entrevistado pelo Alex Gomes para a edição nº 20 do Sobrecapa Literal, jornal editado pela Ana Cristina Melo....
15/05/2012 - Literatura - Saudade do era uma vez?
Entrevista à reporter Fernanda Carvalho, do Observatório Feminino. ...
30/01/2012 - Literatura - Programa Panorama: a arte de escrever literatura infantil
Fui entrevistado no Programa Panorama, da TV Assembléia, em 25/01/2012. Assista à entrevista no site da ALMG...
19/09/2011 - Literatura - Entrevista para a editora FTD
Este mês (setembro de 2011) sou o entrevistado da revista Acontece, da editora FTD....
29/11/2009 - Literatura - Entrevista à TV UNI-BH
Nesta matéria, falo dos meus livros, das aulas e das minhas paixões....
03/07/2009 - Literatura - Espaço do Escritor (revista Direcional Educador)
Autor de livros com humor, ação, aventura, terror e poesia, o escritor Leo Cunha acredita na diversidade para atrair crianças e jovens para a literatura....
17/03/2011 - Literatura - Entrevista à revista Direcional Educador
Autor de livros com humor, ação, aventura, terror e poesia, o escritor Leo Cunha acredita na diversidade para atrais crianças e jovens para a literatura....
17/04/2009 - Literatura - Entrevista à Radio Unesp
No link abaixo você pode ouvir a entrevista que eu concedi ao jornalista Oscar D'Ambrosio, no programa Perfil Literário, da Rádio Unesp FM....
19/06/2008 - Literatura - Conversas no Sótão
Reproduzo aqui a entrevista que concedi ao escritor Marcelo Maluf, publicada em seu blog "Labirintos no Sótão"...
23/01/2006 - Literatura - Entre o jornal e o livro
Esta ótima reportagem da jornalista Ariadne Lima, publicada na revista PQN e no site Cronópios, baseou-se em entrevistas com diversos escritores/jornalistas.Leia a matéria e também a minha entrevista na íntegra....
19/01/2010 - Literatura - Em olho fechado não entra estrela
Reprodução da entrevista que eu concedi à escritora e jornalista Rosa Amanda Strausz, do site Doce de Letra.Quando publicou sua primeira história, Em boca fechada não entra estrela, Leo Cunha tinha apenas 25 anos. Mas já trazia na bagagem dois prêmios importantes: o João de Barro e o prêmio de literatura infantil do Paraná. Dez anos e vinte livros...
19/01/2004 - Literatura - Leo Cunha: De viva voz
Reprodução da entrevista concedida à “Revista Latinoamericana de Literatura Infantil Y Juvenil”, publicada pelo Ibby Latinoamérica, em 1996....
24/12/2013 - Literatura - Histórias com um olhar de criança
Reprodução da matéria publicada no jornal "Estado de Minas" (23/08/03), a partir de entrevista dada ao jornalista Augusto Pio....



Capa |  Biografia de Leo Cunha  |  Entrevistas  |  Fortuna Crítica  |  Galeria  |  Livro a Livro  |  Notícias  |  Oficinas  |  Opinião  |  Poemas Animados  |  Prêmios  |  Teoria  |  Todos os Livros  |  • Contatos
Busca em

  
217 Notícias


Todos os Livros
 

Literatura

 

Livros por ordem de lançamento

 

Por título

 

Minha obra, de A a Z

 

Por ilustrador

 

Muito mais do que desenhos

 

Coletâneas

 

Bem acompanhado

 

Por gênero

 

Poesia, prosa, crônica e teatro