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Leo Cunha - Literatura infanto-juvenil
Desde: 22/12/2003      Publicadas: 217      Atualização: 28/05/2015

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 Entrevistas

  23/01/2006
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Entre o jornal e o livro

Esta ótima reportagem da jornalista Ariadne Lima, publicada na revista PQN e no site Cronópios, baseou-se em entrevistas com diversos escritores/jornalistas.
Leia a matéria e também a minha entrevista na íntegra.

P: Você se formou jornalista antes de lançar seu primeiro livro. Isso é apenas uma coincidência ou o jornalismo te influenciou para a carreira literária?


R: O curso de jornalismo deu um empurrão, pois logo no primeiro semestre havia a disciplina de Teatro, com o professor Gil Amâncio, um verdadeiro mestre, perspicaz, alegre e empolgado, que estimulava e valorizava muito a criação e a expressão dos alunos. Foi ali que comecei a criar esquetes e mesmo textos narrativos, de forma mais sistemática. Isto se repetiu, depois, nas disciplinas de Produção de Texto, Cinema e outras.


P: Como surgiu a literatura na sua vida?


R: Tive o imenso privilégio de crescer com mais de 10 mil livros em casa. A biblioteca da minha mãe (que agora passa dos 20 mil) me seduziu desde pequeno. Eram livros de literatura infantil, adulta, dicionários os mais diversos, enciclopédias, quadrinhos, tudo.

Além disso, como minha mãe tinha uma livraria infanto-juvenil (a Miguilim), eu tive a oportunidade de conhecer e mesmo ficar amigo de vários escritores maravilhosos, durante a minha adolescência, como Orígenes Lessa, Sylvia Orthof, Bartolomeu Campos de Queirós, Elvira Vigna, Ana Maria Machado.


P: No seu caso, porque a escolha da literatura infantil?


R: Um pouco pelo que eu disse na resposta acima. Um pouco porque eu logo percebi que a literatura infantil brasileira é riquíssima, tem excelentes autores tanto na poesia, quanto na prosa e no teatro. A boa literatura infantil não deve nada à literatura adulta, em termos de qualidade, invenção, ousadia.
Dos meus livros já publicados, uns 15 são de prosa infantil, uns 10 de poesia, uns 5 são narrativas juvenis e dois são coletâneas de crônicas que foram publicadas anteriormente em jornais (O Tempo e Hoje em Dia. Estes dois poderiam ser adultos, mas o projeto gráfico direciona os livros para o público jovem.


P: Como é o ritmo de sua produção literária? Você estabelece rotina para isso, ou é aleatório?


R: Não diria aleatório, mas sem dúvida é caótico. Escrevo 3 ou 4 livros ao mesmo tempo. Um dia pego um, depois largo, passo pro outro, às vezes misturo dois diferentes, às vezes transformo um em dois. Meu livro "O sabiá e a girafa" começou como um dos poemas que faria parte do "Lições de girafa". Meu livro de poemas "Profissonhos " um guia poético", começou como uma narrativa juvenil, mas o lirismo e o jogo de palavras expulsou a narrativa.

Escrevo diariamente, mas sem uma rotina definida. Às vezes 15 minutos, às vezes quatro horas seguidas. E reescrevo obsessivamente cada frase, cada verso, em busca do ritmo certo (ou que me agrade) da sonoridade, da surpresa.


P: Tem previsão de quando será lançado o próximo livro? Já tem o título?


R: Tenho no prelo 2 livros de poesia infantil. Este ano ainda sai o "Profissonhos", pela Planeta. Depois sai um pela FTD, que está pronto e aprovado, mas ainda sem nome definitivo.


P: Jornalismo e literatura trabalham com a mesma matéria-prima: a palavra. Sendo assim, na sua opinião, técnicas jornalísticas podem beneficiar a literatura e/ou vice-versa? Como?


R: Acredito que um pode ajudar o outro, sim. O jornalismo pede uma comunicabilidade, uma preocupação em "contar uma história", que muitas vezes me ajuda a não me perder nos jogos expressivos e esquecer da narrativa, da trama, que eu considero essencial na literatura infantil.

Por outro lado, a literatura se desenvolve justamente nestes jogos expressivos, que podem me ajudar a enriquecer meus textos jornalísticos, fugindo daquele texto mais padronizado e técnico que os manuais de redação costumam pregar. O jornalismo não precisa abrir mão da narrativa envolvente, sedutora, de bons personagens, elementos que a literatura ajuda a aprimorar.


P: João do Rio levantava a questão da contaminação entre arte e técnica, no caso de jornalismo e literatura. Ele questionava se a prática de um poderia influenciar negativamente a prática de outro. O que você pensa a respeito disso?


R: Acredito que a influência salutar, da qual falei na resposta anterior, pode se tornar negativa caso a dose seja exagerada, gerando textos jornalísticos excessivamente "estilosos", que perdem de vista o leitor que busca informação. Ou gerando textos literários tão diretos que o trabalho com a palavra, com a forma, com a plurissiginificação, quase desaparece.


P: Em algum momento da sua carreira, jornalística ou literária, você se permitiu entremear os gêneros?


R: No caso das crônicas, acredito que o tempo todo eu trabalho na convergência entre os dois campos. Claro que as crônicas mais opinativas, mais dissertativas, costumam se aproximar mais do olhar jornalístico, e as crônicas narrativas podem se aproximar de contos, mas, na minha visão, sempre há pitadas dos dois, ao mesmo tempo.


P: No primeiro século de jornalismo no Brasil, a presença de escritores na imprensa era muito mais expressiva. Você acha que o ensino das técnicas jornalísticas nas faculdades (lançando um profissional essencialmente técnico no mercado) contribui para essa diminuição?


R: Não tenho certeza se esta afirmação se sustenta. Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que, anteriormente, o que havia era poucos jornalistas, no sentido atual do termo, ou seja, poucas pessoas que se formavam para exercer o jornalismo. Sendo assim, uma boa parte dos que trabalhavam em jornais eram escritores. O que houve, depois, foi principalmente o aumento no número de "jornalistas jornalistas" " que tiveram uma formação inclusive técnica para exercerem a profissão - , o que proporcionalmente deu a impressão de que diminuiu o número de escritores nas redações.

Mas a minha impressão é a de que ainda existe um número significativo de escritores trabalhando em jornais, particularmente nos cadernos e suplementos de cultura, seja como repórteres, editores ou cronistas. Na Folha de S. Paulo, por exemplo, temos Cony, Fernando Bonassi, Marcelo Coelho, Bernardo de Carvalho, Nelson Ascher, todos na Ilustrada. No Estado de Minas, temos o repórter Carlos Herculano Lopes, além dos cronistas Affonso Romano, Alcione Araújo, Fernando Brant, entre outros.


P: Você acredita que hoje é possível abandonar o jornalismo e viver apenas de literatura? Já pensou em fazer isso?


R: Poucos escritores no Brasil têm cacife para isso. A venda de livros no Brasil é relativamente baixa e, mais do que isso, inconstante. Em alguns anos a venda melhora muito, em outros cai assustadoramente. Por isso o jornalismo " ou, mais especificamente, as aulas de jornalismo " são um porto seguro.

A maioria dos escritores têm atividades paralelas, senão como jornalistas, como advogados, médicos, psicólogos, pedagogos, etc.

No meu caso, seria possível ficar só com os livros, mas
acarretaria uma queda sensível no meu padrão de vida e consumo. Além do mais, tenho muito prazer em trabalhar como professor, há quase dez anos, numa escola de jornalismo.


P: O que a literatura representa na sua vida hoje? Está mais próxima do prazer ou da profissão?


R: As duas coisas ao mesmo tempo, felizmente. Se não fosse um prazer, eu já teria parado, pois não consigo trabalhar com nada que me aborreça, entendie ou incomode.


P: E no caso do jornalismo?


R: Idem.


P: Você acredita que o jornalismo pode ser uma alavanca para a carreira literária ou que, ao contrário, a literatura pode ser uma alavanca para a carreira jornalística?


R: Pode ser. Mas no meu caso não acontece, pois são duas vidas profissionais praticamente paralelas, que seguem juntas mas não se tocam. Muitos alunos meus nem sabem que eu sou escritor e se espantam quando lêem no jornal ou ouvem no rádio uma entrevista minha falando dos meus livros. E imagino que a maioria dos meus leitores não saiba do meu lado jornalista e professor universitário.


Leia a reportagem de Ariadne Lima, no site Cronópios.



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