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Leo Cunha - Literatura infanto-juvenil
Desde: 22/12/2003      Publicadas: 217      Atualização: 28/05/2015

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 Entrevistas

  03/07/2009
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Espaço do Escritor (revista Direcional Educador)

Autor de livros com humor, ação, aventura, terror e poesia, o escritor Leo Cunha acredita na diversidade para atrair crianças e jovens para a literatura.

Espaço do Escritor (revista Direcional Educador)
Os livros do mineiro Leo Cunha são marcados por humor, aventura, mistério, tudo temperado com muita poesia. Leo começou jovem na literatura. Seu primeiro livro foi publicado quando ele tinha 25 anos. Hoje, 18 anos depois, ele é um nome respeitado na literatura infanto¬juvenil. O talento de Leo para as letras vem de família. Sua mãe, Maria Antonieta Cunha, é crítica literária e autora de diversas publicações sobre leitura e literatura.

Para o menino que vivia cercado de livros e autores, ter se tornado escritor não foi propriamente uma surpresa. Leo chegou a cursar Economia, "mas tive o bom senso de largar o curso pela metade", conta. Cursou então Jornalismo e Publicidade na PUC-MG. Apesar da literatura ter ganhado espaço definitivo em sua vida, não abandonou o jornalismo. Dá aulas no curso de Jornalismo da Uni-BH e acredita até em certa influência entre as duas carreiras, a de jornalista e a de escritor:
"A influência principal talvez esteja nas crônicas, pois este é um gênero que fica bem na confluência entre o jornalismo e a literatura. Acho que, por trabalhar nos dois campos, eu acabei me interessando mais pelo jornalismo menos 'urgente', menos interessado em furos e grandes investigações, e mais interessado na crlação de textos envolventes e de conexões criativas."

Leo considera as crônicas um gênero sedutor de literatura, e ideal para atrair para o livro aqueles leitores que ainda não têm o hábito da leitura. O humor, aliás, é para Leo outro fator fundamental para transformar crianças e jovens em ávidos leitores. Até mesmo o doutorado em Cinema, que Leo cursa na UFMG, trata do tema da comédia, mais especificamente os heróis cômicos no cinema francês.

Para o escritor que transita entre várias formas de linguagem, a literatura não tem a função de ensinar nada a seus leitores: "A literatura deve despertar o prazer da leitura, não escrevo para ensinar. Mas procuro fazer histórias que sejam divertidas, ou assustadoras, e não entro em modismos que são comuns na literatura." Entre alguns de seus títulos, estão Sorte Grande e Manual de desculpas esfarrapadas (ambos pela FTD), Lápis Encantado (Quinteto Editorial), 22 brincadeiras de linhas e letras e Clave de Lua (os dois pela Paulinas), O macacão espantado (Salamandra) e Três terrores (Atual). No último Salão FNLlJ do Livro para Crianças e Jovens, que aconteceu em junho no Rio de Janeiro, Leo Cunha autografou Turmas do prédio, da turma e do bairro (Editora Dimensão) e a coleção Clube dos Segredos (pelo selo juvenil Galera, da editora Record), onde escreve um conto por livro ao lado de Luiz Antônio Aguiar, Rogério Andrade Barbosa, Pedro Bandeira e Rosana Rios. Confira a seguir as ideias de Leo a respeito da literatura infanto-juvenil.

- O fato de ter tido uma infância em torno de livros foi decisiva para você ter se tornado escritor? Conte um pouco da sua infância e do contato que tinha com escritores nessa época.

Foi decisivo, sem dúvida. Quando eu era criança, minha mãe já era professora de literatura na UFMG e já tinha muitos (milhares) de livros em casa. Depois, quando eu estava entrando na adolescência, ela abriu a Casa de Leitura e Livraria Miguilim. Como o próprio nome indica, era bem mais que uma livraria: era um lugar onde a pessoa podia ir simplesmente para ler, folhear livros, conversar sobre livros, fazer cursos e oficinas. Ali eu fiz minha primeira oficina de criação literária, com o poeta Ronald Claver.

Como desdobramento da livraria, minha mãe, e algumas sócias, criaram em seguida a editora Miguilim, que foi bastante influente na década de 90, lançando vários autores e ilustradores que são hoje entre os maiores do país, como Marilda Castanha e Ana Raquel.

Eu ia quase todos os dias à livraria e não perdia um lançamento. Assim fiquei conhecendo escritores maravilhosos como Orígenes Lessa, João Carlos Marinho, Ana Maria Machado, Edy Lima, Bartolomeu Campos Queirós, Roseana Murray, Elvira Vigna. Ler e conhecer todos eles, e mais outros, foi algo muito marcante pra mim e certamente influenciou meus caminhos posteriores.

- Qual foi seu primeiro livro, e porque partiu para a literatura infanto-juvenil?

A opção pela literatura infantil e juvenil foi pra mim quase natural, inevitável. Eu passei anos e anos lendo literalmente tudo o que havia publicado no mercado brasileiro para crianças e jovens. Descobri ali um universo muito fascinante e muito variado: humor, ação, emoção, mistério, poesia, aventura, ficção científica, romance. Eu lia de tudo e gostava de tudo. Sempre tive um gosto muito eclético e, quando comecei a escrever, isto ficou transparente nos meus livros, que são muito diferentes entre si.

O primeiro texto que eu escrevi, levando a sério mesmo a possibilidade de mandar pra uma editora e publicar, foi "O sabiá e a girafa". Escrevi em 1990. Mas o livro só foi lançado em 1993. Antes dele acabaram saindo "Em boca fechada não entra estrela", que eu publiquei na revista Alegria (atual Recreio) e também "Pela estrada afora", que foi oficialmente o meu primeiro livro.

- Tem mais livros publicados para o público infantil ou juvenil? O que pensa da divisão da literatura por faixas etárias?

Eu tenho atualmente mais de 40 livros publicados, sem contar coletâneas e traduções. A maioria é mais voltada para crianças, alguns em prosa, outros em verso, e alguns em prosa poética. Tenho mais ou menos uma dúzia de juvenis, e ainda três livros de crônicas que, mesmo se editados num formato mais juvenil, são livros sem idade. A maioria destas crônicas foi publicada originalmente em jornais de BH, portanto eram textos para o público adulto.

Eu acredito que esta divisão entre infantil e juvenil tem a sua utilidade, para o mercado (editoras, distribuidores, livrarias) e para a escola (professores, coordenadores, bibliotecários, pesuqisadores). O leitor não deve se preocupar tanto com isso, pois existem vários níveis de leitura.

Por outro lado, quando estou escrevendo, admito que eu guardo em mente e levo em consideração, de forma mais ou menos clara, se aquele texto poderia interessar, seduzir, empolgar, principalmente as crianças ou os adolescentes.

- Costuma visitar escolas? Tem percebido que as escolas estão trabalhando mais com a literatura?

Vou muito a escolas, sempre que convidado. Adoro conversar com as crianças e jovens, só ponho uma condição: que eles tenham lido meu livros, ou meus livros, antes da minha visita. Não gosto de ir a uma escola como "um escritor", e falar sobre "o que é ser escritor". Prefiro ir como "o autor do livro X" e conversar principalmente sobre o livro, ou os livros que foram lidos.

Já encontrei muitas escolas com ótimas atividades em torno do livro. Prefiro quando são atividades lúdicas, de (re)criação ou ainda de reflexão sobre as obras.

- Acredita que os alunos (crianças e adolescentes) devam participar da escolha do livro adotado pelo professor?

Acredito que deve haver liberdade na escolha de livros, pela criança. Entendo que é interessante ou mesmo essencial, às vezes, que a turma inteira leia um determinado livro e participe, em conjunto, das atividades em torno daquela obra. Mas fora isso, as crianças só têm a ganhar quando têm acesso a um acervo amplo e variado. Sempre bato nesta tecla da variedade. Se chego numa escola e todos os alunos estão lendo somente livros meus (ou de um autor qualquer), não acho uma boa estratégia pedagógica nem cultural. O ideal é que sejam lidos livros dos mais variados gêneros, épocas, lugares, autores e temas.

- Acredita que os alunos (crianças e adolescentes) devam participar da escolha do livro adotado pelo professor?

Acredito que deve haver liberdade na escolha de livros, pela criança. Entendo que é interessante ou mesmo essencial, às vezes, que a turma inteira leia um determinado livro e participe, em conjunto, das atividades em torno daquela obra. Mas fora isso, as crianças só têm a ganhar quando têm acesso a um acervo amplo e variado. Sempre bato nesta tecla da variedade. Se chego numa escola e todos os alunos estão lendo somente livros meus (ou de um autor qualquer), não acho uma boa estratégia pedagógica nem cultural. O ideal é que sejam lidos livros dos mais variados gêneros, épocas, lugares, autores e temas.

- É comum os professores reclamarem que os alunos não leem, ou que não apreciam a leitura, especialmente os adolescentes. Em sua opinião, quais as causas dessa situação?

Os motivos são inúmeros, não há como apontar um culpado único. Mas acredito que o maior incentivo que se pode dar à leitura é o exemplo. A criança que vê seu pai, tio, professor, colega, lendo e curtindo um livro, vai ter muito mais chance de se interessar pela leitura. É incrível um pai ou professor que não lê e reclama porque o filho ou aluno não lê.

- Que dica daria para os professores aproveitarem melhor as bibliotecas, ou salas de leitura, de suas escolas?

Conheçam o máximo possível os acervos que estão disponíveis para vocês. Folheiem os livros, leiam as primeiras páginas, larguem se não estiverem gostando, troquem por outros. Conversem com outras pessoas, peçam dicas de leitura aos colegas e aos alunos. Tentem ler livros muito diferentes entre si, de gêneros diferentes, tamanhos diferentes, assuntos diferentes.

Entrevista à jornalista Luiza Oliva, da revista Direcional Educador, nº 54, publicada em julho de 2009.



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