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Leo Cunha - Literatura infanto-juvenil
Desde: 22/12/2003      Publicadas: 217      Atualização: 28/05/2015

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 Entrevistas

  08/11/2010
  0 comentário(s)


Não é bicho papão

Nesta matéria, publicada no Estado de Minas,
em 07/11/2010, a repórter Thais Pacheco
entrevista a mim, ao colega escritor Luiz
Antônio Aguiar e ao professor Aníbal Bragança.

Não é bicho papão
Há quem diga que ler assusta criança. Outros garantem: os clássicos espantam os novos
leitores. A culpa sobra para pais, professores e escolas. Escritor e mestre em literatura, Luiz
Antonio Aguiar garante: a questão está na formação do futuro consumidor de livros. "Não é
sóoprofessor. É a bibliotecária,opai,amãe e a família. Muitos me perguntam como fazer o filho
ler. Questiono se eles têm livros em casa, se leem sempre, se fazem isso com as crianças.
Você só incentiva alguém a ler se é apaixonado por leitura", garante.

Luiz Antonio viaja o país para ministrar palestras sobre literatura. Além de seus próprios
livros, ele fala sobre clássicos de autores como Machado de Assis " é especialista na obra do
Bruxo do Cosme Velho. Está convicto de que a meninada gosta, sim, de ler. Mas tudo depende
da abordagem.

"Posso garantir, de coração: o gosto pela leitura depende de a gente passar a paixão para
as crianças. Mostrar que é uma coisa interessante, ajudá-las. Mas sem impor uma relação
de poder, autoritária", defende. "Meus netos, por exemplo, gostam da palavra pum. Por isso,
a coloquei num livro. Literatura tem tristeza e humanidade, mas também alegria. Falo para os
meninos: se eles gostam do vampiro vegetariano de Crepúsculo, prefiro o Drácula, pois você
lê este livro e, de repente, olha para trás com medo de alguém mordê-lo", brinca.

Os netos dele são Olívia, de 3 anos, e Vicente, de 5. "Eles leem no meu colo ou no da minha
mulher. Esse envolvimento é sentimental. O amor dos meninos pela literatura faz parte do
amor que eles sentem por nós. Vicente ainda não é alfabetizado, mas vai para um canto com
o livro e diz que está lendo", conta o avô coruja.

Aníbal Bragança, doutor em comunicação social, concorda: "A formação do hábito da leitura
deve se dar pormeio do contato comos livros antes de chegar à escola. Entretanto, a associação
leitura e escola corre o risco de remeter obrigatoriedade. Isso é ruim para a formação
de hábito".

O escritor Léo Cunha defende o fácil acesso das crianças aos livros, sobretudo dentro de casa.
"Às vezes, minha filha traz o livro da biblioteca, começa a ler, acha um saco e diz que está
sofrendo para terminar. Digo-lhe para largar e pegar outro. É igual a cinema: ninguém se obriga
a assistir a um filme ruim até o fim. Da mesma maneira como você troca de canal, troque
de livro", aconselha o escritor.

A origem da resistência está na relação entre leitura e obrigação, acredita. "Ameninada
curte muito o bom livro, uma boa história. Ocorre que a maneira como aquilo é trabalhado
na escola é puramente didática. Ler para responder a uma série de questões
específicas não é o barato da literatura e da arte", pondera Léo Cunha. "Deveria ser o contrário:
recreação, um espaço para abrir discussões, para reescrever, reinterpretar ou fazer teatro. Literatura
é ponto de partida para abrir, não para fechar. Serve para permitir a todos chegar à mesma
resposta", defende o autor de cerca de 40 títulos, especialmente infanto-juvenis, que já vendeu cerca
de 1 milhão de exemplares.

"Didatização da literatura é um problema. Transformar livro em prova, em lição de casa,
é uma tragédia. Qualquer leitor normal tem o direito de trocar de título. Por que na escola
não há esse direito? Por que criança ou adolescente devem ler contrariados?", questiona
Luiz Antonio.

Tudo a seu tempo

Coordenador dos núcleos de pesquisa sobre livro e história editorial do Brasil da
Universidade Federal Fluminense, Aníbal Bragança é profundo conhecedor da obra de
Euclides da Cunha. Na opinião dele, o clássico Os sertões só deve ser apresentado aos
alunos na faculdade. "Isso não quer dizer que os mais jovens, ou mesmo as crianças, não devam
saber quem foi Euclides ou ler uma página dele. Mas esse autor não escreveu para crianças
ou jovens. Escreveu para seus pares, pessoas que já têm formação no campo da literatura,
da cultura letrada, o que as permite compreender o texto", adverte.

Afinal de contas, qual o problema de não ler? Isso faz a pessoa menos inteligente? O que esperar
de quem rejeita esse hábito? "Parece-me óbvio que não gostar de ler não faz de ninguém pessoa
pior, pois isso não tem nada a ver com caráter ou inteligência. Entretanto, por seu caráter de imersão
e decifração, a literatura desenvolve a capacidade de reflexão, de argumentação e
o olhar crítico sobre os vários tipos de texto, sejam eles informativos, artísticos ou propagandísticos",
afirma o escritor Léo Cunha.

O especialista Aníbal Bragança diz que conversar com pais, professores, amigos, ver TV e
acessar a internet são experiências enriquecedoras, em termos de formação do acervo culturalede
referências. Mas pondera: a experiência da leitura silenciosa deumtexto adequado
à capacidade de decifração permite ao leitor desenvolver o conhecimento do idioma. Permite
o conhecimento de tudo o que foi produzido pela sociedade humana desde a invenção
da escrita. "Cada biblioteca oferece um universo. É fantástico", conclui Bragança.






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