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Leo Cunha - Literatura infanto-juvenil
Desde: 22/12/2003      Publicadas: 217      Atualização: 28/05/2015

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 Entrevistas

  15/05/2012
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Usina de idéias

Matéria publicada no jornal Hoje em Dia, no dia 14/05/2012.
Texto de Vanessa Perroni e foto de Samuel Costa.

Usina de idéias
Videntes e Outros Pitacos no Cotidiano" reúne crônicas assinadas pelo escritor e jornalista mineiro Leo Cunha

Ele cresceu entre os livros e aos dez anos descobriu o clássico "O Mágico de Oz", de L. Frank Baum, ao mergulhar em uma piscina de letras. Contabilizando mais de 20 anos de bons serviços prestados à literatura e conhecido por sua vasta produção infantojuvenil, o premiado escritor e jomalista mineiro Leo Cunha volta a ocupar as prateleiras de lançamentos das livrarias (virtuais e fisicas) agora, com a coletânea de crônicas "Videntes e outros pitacos no cotidiano" (Editora Melhoramentos, 64 páginas).

O livro traz 20 crônicas, em sua maioria inéditas. Mas há também espaço para outras já publicadas, algumas em periódicos, como no Caderno Cultura do jornal "Hoje em Dia", que foram organizadas pelo escritor carioca Luiz Antônio Aguiar. A seleção integra a coleção "Crônicas Contemporâneas", da Melhoramentos.

Inspirado por acontecimentos do dia a dia, notícias inusitadas (e como o mundo anda cheio delas) e pelas novas tecnologias, que andam dando trabalho a quem quer ficar up to date, Cunha andou dando os aludidos "pitacos" em assuntos dos mais díspares. Como um bom observador do cotidiano, ele buscou inspiração até no inusitado leilão de uma fatia do bolo que teria sido oferecido no pomposo casamento da então Lady Diana Spencer com o príncipe Charles, da Inglaterra, e vendida por nada menos que 3 mil reais.

Em direção diametralmente oposta, o caso da jovem que não teve constrangimento ao expressar, no Twitter, seu repúdio aos nordestinos, provocando repulsa, rendeu algumas reflexões sobre as relações humanas. E ganhou o adequado título "Ódio Comunitário".

Tem mais: o pacto de não procriação entre os parentes do ditador alemão (nascido na Áustria) Adolf Hitler também é um dos assuntos comentados na obra.

Antes de seguir em frente, um esclarecimento se faz necessário: a paixão de Leo Cunha pelo universo das letras está, digamos assim, impressa em seu código genético, no DNA. Sua mãe, Maria Antonieta Cunha, ex-secretária Municipal de Cultura de Belo Horizonte, é conhecida crítica literária e autora de diversas publicações sobre leitura e literatura, abalizadas pela ala especializada neste nicho. "Minha mãe tinha uma livraria direcionada ao público infantil quando eu era pequeno e, por isso, sempre li muito. Ela é uma referência e uma inspiração. Na época de faculdade, cheguei a cursar economia, mas tive o bom senso de largar o curso", brinca. Se o mundo dos números e gráficos perdeu um bom profissional, não há como saber. Mas o das letras, sem dúvida ganhou um entusiasta.

De volta ao livro novo, as chamadas redes sociais e as novas tecnologias também foram alvos das citados "pitacos" do escritor em sua empreitada. Na crônica "Twitter: Bashô ou não baixou?", por exemplo, Leo Cunha discorre sobre o que fascina tanto nesta ferramenta que, para ele, pode ser compreendida como um fenômeno do tipo "ame-o ou deixe-o" . Assim, sem meio termo.

No texto, ele aproveita para citar um haikai (poemas que valorizam a concisão e a objetividade) do poeta japonês Bashô (1644-1694) para mostrar como, em 140 caracteres (o tamanho do texto que caracteriza o microblog, e que recebeu críticas de nomes como o do saudoso escritor português José Saramago), cabem "alguns dos melhores poemas já escritos".

No cômputo geral, ele assume "gostar muito das redes sociais". E não é de hoje. "Meu mestrado foi um estudo sobre como a narrativa se altera a partir da internet", lembra ele. Detalhe: isso há 15 anos. "entrei em cerca de duzentos sites dessa natureza, apesar de utilizar mesmo apenas três endereços, pois gosto de saber o que cada um oferece."

Com a proliferação das redes sociais apareceram os "comentaristas do cotidiano", nomes por trás de blogs e páginas que dão seus pareceres sobre os acontecimentos que estão nas páginas dos jornais ou na boca do povo. O que o autor, na verdade, coloca como um desdobramento interessante, um ponto positivo. "Isso é um ponto interessante da rede. Cada um pode formular e expressar suas opiniões. É um exercício saudável. Claro que tem gente que escreve qualquer coisa. Mas em sua maioria enriquece", comenta ele, democrático.

Enriquece ao ponto de nascer uma crônica publicada em sua página no Facebook. Leo Cunha contou que o texto "Escolado" surgiu a partir de um comentário que ele publicou na rede, e que, para sua surpresa, recebeu nada menos que uma avalanche de comentários, todos devidamente incorporados ao post e, posteriormente, à crônica que entrou para o livro.

Mas tanta "modernização" acaba, por outro lado, dissolvendo alguns costumes, que podem estar fadados à extinção. Em uma de suas crônicas, o jornalista e escritor comenta que, com a chegada dos e-books (livros digitais) no mercado, a perda de um "detalhe", que faz toda a diferença vem sendo registrada: como ficam as dedicatórias?

Leo Cunha também constata, desolado, o "sumiço" dos marcadores de livros. "Eu tenho uma coleção de dois mil marcadores de livros' de diferentes formas e papéis. Sinto falta deles com essas novas ferramentas", registra Cunha, sem medo de parecer saudosista.

Apesar de a literatura ter ganhado espaço definitivo em sua vida, Leo Cunha não abandonou o jornalismo. Ele é professor universitário e acredita que as duas carreiras estão, sim, interligadas. "A influência principal talvez esteja nas crônicas, pois este é um gênero que fica bem na confluência entre o jornalismo e aliteratura. Acho que, por trabalhar nos dois campos, eu acabei me interessando mais pela criação de textos envolventes e de conexões criativas", analisa.

"Vidente", crônica que dá título ao livro, reproduz a visão bem humorada do autor sobre a curiosidade de prever o futuro por meio de diversas práticas populares. "Esse tema me chamou muita atenção pois o que qualquer vidente faz é dar pitaco", pontua .

Já "PC" trata de outro tema que costuma suscitar polêmica, o politicamente correto - daí, claro, as iniciais do título. "O politicamente correto é um eufemismo disfarçado. Falar de uma forma que não crie atritos. É mais comum ficar ridículo do que funcionar", avalia o moço.

Para Cunha, a intenção inicial de quem começou com essa onda era a de ser mais responsável e evitar posturas que incomodam. "Mas, se a gente for pensar, a arte e o humor incomodam em alguns pontos. Existe um limite para tudo, mas que não é determinado, vai do bom senso de cada um", considera ele.



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