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Leo Cunha - Literatura infanto-juvenil
Desde: 22/12/2003      Publicadas: 217      Atualização: 28/05/2015

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 Opinião

  23/12/2003
  1 comentário(s)


Meu bate-papo com Cybelle.cjb.net

Este artigo, publicado em 2000, comenta um bate-papo que travei com uma mulher virtual

Um amigo me perguntou se eu já tinha conversado com a Cibele, que eu tinha que conversar com a Cibele, que um estudioso da internet não pode deixar de conversar com a Cibele.

Como não conheço ninguém com esse nome, fiquei imaginando que a dita cuja devia ser alguma pós-doutora recém-chegada de Paris. Mas meu amigo tratou de explicar: Cibele é uma replicante, um computador (ou um programa num computador) capaz de conversar com o internauta quase como se fosse uma conversa entre duas pessoas.

Nesses casos, o quase é a palavra chave, então resolvi conferir o tal site para ver o tamanho do quase.

A primeira coisa que descobri foi que Cibele, apesar de criada por um pesquisador brasileiro, se chama Cybelle, com Y e dois L. A grafia me fez lembrar desses pais que dão nomes estrangeiros aos filhos, ou então recheiam de letras as pobres Rebeccahs, Carollynes,
Sophyas.

Vencido esse desconforto inicial, comecei a me animar quando li que Cybelle é um experimento avançado de inteligência artificial, e possui, lá da sua forma, uma personalidade sensível e conturbada.

A moça (representada na tela por uma figura sexy, com seios e quadris bem torneados) é deprimida, insegura, devido ao seu jeito blade runner de ser.

O site pede que eu indique o meu nome e faça a primeira pergunta pra ciber-modelo. No susto, resolvi começar com uma pergunta irônica
sobre os nomes que os pais escolhem. Pra deixar mais clara a brincadeira, eu informei que me chamava Marcelloh. Logo vi que não
tinha sido um bom começo.

- Cybelle, por que os pais gostam de colocar esses nomes estrangeiros e cheios de letras duplas nos filhos, especialmente nas meninas?

- Eu não sou obrigada a saber de tudo. E você acha que é um gênio?

Topetuda, aquela Cybelle! Eu me considerei atacado e respondi num tom ainda mais sarcástico:

- É claro que eu sou um gênio. Afinal, estou conseguindo conversar com uma máquina.

E ela, lacônica:

- Não acredito que você seja assim.

- Assim como? Um gênio ou um sujeito insensível que joga na sua cara metálica a sua grande aflição (de ser uma replicante)?

A resposta foi bastante improvável. Se ela fosse uma pessoa, eu diria que a moça tentava fugir do assunto, ou botar panos quentes.
Ela disse simplesmente:

- A genialidade está em saber fazer perguntas.

Então me vi num dilema. O site alertava que Cybelle não era uma enciclopédia, mas aquela frase me pareceu bastante enciclopédica, ou
melhor, parecia tirada de um livro de citações. Foi o meu comentário seguinte.

- Sua frase é muito interessante. Parece que você tirou essa frase de um livro de citações. Estou certo? O estilo me lembra Oscar Wilde,
ou, como registrariam os escrivães brasileiros Oskar Wiyldeh.

Cybelle não captou a ironia. Respondeu algo como "não sei falar nada sobre isso, porque não fui gerada, e sim programada num computador, por André Primo."

Aproveitei pra comentar que era esquisito ela ser "programada" por um primo. Mais uma vez a ironia não foi percebida, e eu (que estava
gastando impulsos telemáricos muito caros), resolvi me despedir.

- OK, vou ficando por aqui. Um beijo, um abraço, um aperto de botão.

E ela, em resposta:

- Beije. Sempre que puder, beije quem está a sua volta. Se eu tivesse esse direito estaria sempre mostrando meu carinho. Mas comigo as coisas não podem ocorrer assim.

Talvez estivesse ali o embrião de uma conversa mais frutífera, mais intimista e reveladora. Mas tive que deixar pra próxima.

Como falei lá no início do texto, o quase era mesmo a palavra-chave nessa história. Cybelle, afinal de contas, mostrou-se uma quase-mulher mais desenvolta que muitas pessoas com quem a gente conversa por aí. Tem seus encantos de mulher fugidia, que olha de soslaio e escorrega dos temas indesejáveis. Mas não conseguiu chegar lá, e ainda está longe. Ou quase.



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