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Leo Cunha - Literatura infanto-juvenil
Desde: 22/12/2003      Publicadas: 217      Atualização: 28/05/2015

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 Opinião

  24/12/2003
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O que rola entre os livros e os bytes

Artigo publicado em 2000, a partir da já velha questão: a internet vai acabar com os livros?

Rodando pelos stands do Salão do Livro, encerrado no último domingo na Serraria Souza Pinto, não encontrei quase nada sobre os tais e-books. Achei esse fato curioso, já que que tanta gente vem alardeando que os livros
eletrônicos vão mesmo susbstituir os livros de papel num futuro nem tão longínquo.

Talvez um salão como este não seja mesmo o lugar mais adequado para se mostrar o e-book, ou para se discutir sobre ele. Afinal, o livro eletrônico faz parte de um mundo que, aos poucos, enfraquece os canais tradicionais de
promoção e distribuição (as livrarias, as distribuidoras, as editoras, em parte, e até mesmo os próprios salões e feiras de livro). Um mundo que recorre à Internet para a publicação, veiculação, promoção, venda e mesmo para a leitura dos livros.

Ainda assim, torço para que a próxima edição do Salão (e ela deve mesmo ocorrer, a julgar pelo sucesso de público e pela quase unanimidade da crítica) encontre um momento para a discussão deste novo suporte e do novo ambiente de leitura que ele ajuda a criar. Porque, com certeza, há muito a ser discutido e analisado, especialmente com relação à obra literária.

Antes de mais nada, seria interessante notar que, quando falamos da relação entre a literatura e a internet (ou a publicação eletrônica, em geral), estamos reunindo numa mesma estante (para usar uma metáfora do mundo pré-virtual) livros, autores e propostas muito diferentes entre si.

Uma primeira possibilidade, a mais evidente delas, é pensar a internet como um veículo para disponibilizar, online, obras que já foram publicadas em papel. Isso é muito comum, por exemplo, com textos que já caíram no domínio público. Qualquer um pode ler na tela (ou imprimir, se achar melhor) textos de José de Alencar, Machado de Assis ou a aniversariante carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei Dom Manuel.

Outra possibilidade, bem distinta, é utilizar a internet para vender livros. É o que já fazem várias editoras e livrarias online como a Amazon, a Submarino, a Saraiva. Neste caso, o que é vendido é o mesmo objeto livro que se encontra (ou se tenta encontrar) nas livrarias. A internet funciona apenas uma alternativa comercial.

Uma terceira possibilidade é vender, pela internet, obras que não estão disponíveis ainda no formato livro. É o caso do e-book do João Ubaldo Ribeiro. Trata-se de uma narrativalinear (no sentido de que poderia estar impressa em um livro, na mesma sequência, sem alteração do texto), que o leitor pode ler na tela ou imprimir uma única vez (um software controla essa limitação à impressão). Quando a editora resolver lançar a obra no formato livro, o texto será exatamente o mesmo, as únicas diferenças serão o tipo de papel, a capa e a encadernação. É mais ou menos o que vem fazendo o Stephen King, lançando seu novo romance, capítulo por capítulo, exclusivamente pela Internet.

Uma quarta possibilidade é o que vem fazendo o Mario Prata em seu site. Pratinha, como é conhecido pelos amigos, está escrevendo um livro "ao vivo" na rede. Cada dia ele reserva algumas horas e escreve online sua história. Nós, leitores, vamos acompanhando sua escrita letra por letra. Vemos suas dúvidas, seus vacilos, seus erros. Às vezes o autor desiste de um parágrafo inteiro, apaga, reescreve. Outro detalhe interessante é que o leitor pode mandar sugestões sobre o desdobramento da história e assim participar do processo de criação. Ainda não temos como saber se o texto final, criado com essa técnica e com a "co-autoria", terá a qualidade habitual dos escritos do Pratinha, mas é inegável que a iniciativa tem tudo a ver com a tendência atual de desmistificação da figura do escritor e mesmo do questionamento dos limites entre os papéis do autor e do leitor.

Completamente diferente de tudo isto que foi citado acima é o que propõem os autores da chamada hiperliteratura (assunto, por sinal, da minha dissertação de mestrado). O que eles criam são obras cuja estrutura narrativa está ligada intrinsecamente às características do meio eletrônico. São textos não lineares, que possibilitam leituras múltiplas, caminhos que mudam a cada leitura, textos que recorrem a softwares para tornar aleatória a sequência de páginas, ou ainda que se utilizam de recursos multimídia (vídeo, animações, música) para compor sua trama. Ao contrário das obras do João Ubaldo, do Pratinha, do Stephen King, do Pero Vaz de Caminha, as obras hiperliterárias não têm como ser impressas nem encadernadas, já que não apresentam uma sequência pré-determinada de leitura. Além disso, são obras em que os links (a ligação mesma entre as páginas) têm uma função narrativa (ou poética), que não poderia ser reproduzida num ambiente não virtual.

Enfim, as relações entre literatura e internet são múltiplas, cada vez mais complexas e, acima de tudo, são um convite à reflexão, a discussão... e à criação.



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