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Leo Cunha - Literatura infanto-juvenil
Desde: 22/12/2003      Publicadas: 217      Atualização: 28/05/2015

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 Opinião

  24/12/2003
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Parabéns a todas as Alices

Artigo publicado no centenário de morte do escritor Lewis Carrol, autor de "Alice no País das Maravilhas, na revista Presença Pedagógica, da Editora Dimensão

Parabéns a todas as AlicesEste ano, o Dia Mundial da Literatura Infantil merece uma homenagem especial aos 100 anos da morte de Lewis Carroll, autor que nos levou ao País das Maravilhas e Através do Espelho, de braços dados com Alice.

Há mais de um século, Carroll – que na "vida real" tabalhava com Matemática e atendia por um nome bem mais burocrático: Charles Lutwidge Dodgson – nos ensina a relaxar as regras da lógica e deixar espaço para a imaginação respirar. Evidencia a importância de acreditar em coisas impossíveis (pelo menos seis absurdices antes do café da manhã!) e a corrermos com o dobro de nossas forças, se quisermos sair do lugar.

Se têm razão os que falam do trânsito livre da melhor literatura infantil entre leitores de todas as idades, poucas obras terão fascinado tanto igualmente crianças e adultos. Alice tem interessado a estudiosos das ciências humanas tanto quanto as crianças envolvidas somente com a história mais típica do nonsense.

E se é verdade que "a verdadeira força e o valor de uma obra residem no fato de ela criar uma necessidade irresistível de ser escrita", como afirma Michel Tournier, temos em Alice uma obra fundamental, que, desde a primeira publicação, vem sendo recriada e recriada, não só na literatura infantil, mas também na literatura dita adulta, no cinema, no teatro...

Eu, por exemplo, não resisti à tentação. Minha personagem Isabela, de Sonho passado a limpo viaja num mundo de sonhos e espelhos, onde nem tudo é o que parece e as (auto)descobertas não têm fim. Quando cehgou o momento de inscrever a história no Prêmio Nestlé, não pensei duas vezes: escolhi o pseudônimo Alice.

Mas Alice já tinha visitado outras vezes a literatura brasileira. Afinal, foi uma das convidadas mais célebres do Sítio do Picapau Amarelo, onde desembarcou no navio "Wonderland" para conhecer o Anjinho que os netos de Dona Benta tinham trazido da sua viagem ao céu, episódio narrado nas Memórias da Emília. E, se Pedrinho e Narizinho não chegaram a conhecer o País das Maravilhas, a turma do Sítio fez viagens semelhantes, ao Reino das Águas Claras, ao labirinto grego e outros lugares de sonho.

Mais recentemente, no livro O Caso Alice,
Sonia Coutinho montou um jogo fascinante onde se misturam a Alice personagem, a Alice verdadeira (a filha de um amigo de Lewis Carroll, para quem o autor escreveu a história), e também o próprio autor com suas duas facetas: Carroll e Dodgson

Poderíamos encher de exemplos o chapéu do Chapeleiro Maluco, mas o coelho já passou aflito, olhando o relógio e avisando: estamos atrasados, estamos atrasados...

Mas como esquecer as histórias encantadas, recheadas de humor e nonsense, em que Michael Ende costumava evocar, senão a própria Alice, pelo menos os personagens fantásticos, exóticos, e a atmosfera mágica do País das Maravilhas? Vale conferir, por exemplo,A História sem Fim, tanto o livro quanto o filme.

E por falar em cinema, Alice também viajou por ali. Primeiro foi Buster Keaton, ainda no ínício do século, que se inspirou em Lewis Carroll para criar um personagem que atravessa a tela do cinema. Depois foi Woody Allen, em A Rosa Púrpura do Cairo. No filme, a sonhadora Cecília, depois de assistir cicno vezes a um mesmo filme, vê o galã saltar da tela para a sala de exibição. Depois ela própria vai com ele para dentro do filme.

Em outra história de Allen, chamada justamente Alice, a personagem principal também vive entediada e desanimada como a menina de Carroll, até descobrir, numa sessão de hipnose, um lado mágico e inesperado da vida.
Jim Henson, o criador dos Muppets, também realizou sua versão de Alice no País das Maravilhas, no filme Labirinto, da década de 80. E não podemos esquecer o musical dos estúdios Disney, na década de 50, um dos maiores clássicos da animação americana.

Por seu significado humano e suas muitas possibilidades de leitura, Alice tem sido ilustrada pelos maiores nomes do desenho infantil em cada país. É o caso de Lilian Brogger, da Dinamarca, Klaus Ensikat, na Alemanha, Nicolas Guilbert, na Franca, Markéta Prachatika, da República Checa e Laurabeatriz, no Brasil.

Num artigo recente para a revista on-line Doce de Letra, o escritor Gustavo Bernardo lamenta que nenhuma das versões de Alice enfrenta os paradoxos lógicos da história original. Gustavo levanta um ponto interessante, mas vale lembrar que a riqueza de Alice não se limita à questão da lógica. Por isso, enquanto não surge uma obra que encare os tais paradoxos, podemos nos deliciar com as versões que se inspiram nas outras questões levantadas por Carroll: a fantasia, o sonho, a identidade, a loucura, a ilusão.



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