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Leo Cunha - Literatura infanto-juvenil
Desde: 22/12/2003      Publicadas: 217      Atualização: 28/05/2015

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 Opinião

  26/03/2004
  2 comentário(s)


Sylvia viaja e não sai de (nossa) casa

Crônica escrita em homenagem a Sylvia Orthof, na semana da morte, em julho de 1997.

Sylvia viaja e não sai de (nossa) casaAlguns dirão que esta semana as crianças voltam mais pobres das férias. Morreu Sylvia Orthof.

- Sylvia Orthof? - algumas vão perguntar. - Quem é essa mesmo?
Tantas vezes a gente não guarda o nome do autor dos livros que a gente lê.

- É aquela que escreveu "Os bichos que tive", uma menina vai responder.

- E também "Se as coisas fossem mães" e "Ponto de tecer poesia", um menino vai emendar.

- E "Maria-vai-com-as-outras".

- E "A velhota cambalhota".

E mais essa, e aquela! Em pouco tempo, as crianças vão recordar, umas às outras, cada um dos cento e tantos livros que a Sylvia escreveu pra elas.

As que não se lembrarem de nenhum título (e isso acontece, não é?) vão se pegar, aqui e ali, lembrando algum personagem da Sylvia. Talvez Uxa, a bruxa que se esforçava pra fazer fadices. Quem sabe o galo, que teimava em cantar em plena Copacabana. Ou o computador que engoliu Coca-Cola e resolveu reescrever as histórias. A Fada Fofa com seu manual de boas maneiras. A Vaca Mimosa soltando pum e horrorizando os pedagogos mais caretas.

Mas mesmo as crianças que não se lembrarem de nenhum personagem orthófico, mesmo essas vão se descobrir, de repente, mais cedo ou mais tarde, sob o efeito do nonsense revolucionário da Sylvia, de sua poesia afiada, de suas malucas fantasias, sua paixão pela vida e pelas pessoas.

A obra da Sylvia Orthof tem esse encantamento porque ela era assim: subversiva, hilariante, autêntica. Vivia no cotidiano o deslumbramento com as pequenas belezas da vida e tirava dali sua graça. Alias, como ninguém, atraía situações engraçadas. Em meados da década de 70, ainda ilustre desconhecida, recebeu um telefonema inesperado:

- Senhora Sylvia Orthof, estou ligando para informar que a senhora ganhou o primeiro prêmio...

Sylvia nem deixou a mulher terminar. Saiu pulando pela casa e gritando pro marido:

- Tato, eu ganhei o primeiro prêmio da loteria! Estamos milionários!

Depois de muita festa, parou pra pensar:

- Mas espera aí, Tato! Como é que eu ganhei o primeiro prêmio, se nunca comprei bilhete nenhum?

Pegou o telefone e já ia passando um esculacho, quando, do outro lado, a voz respondeu:

- A senhora não entendeu. Aqui é a Ana Maria Machado e a senhora ganhou foi o 1º Prêmio de Teatro Infantil do Paraná!

Casos assim aconteciam todo dia com a Sylvia, a imaginação puxando o humor, o humor nutrindo a imaginação. E quase sempre viravam um livro.

Esta semana, alguns dirão que as crianças de todo o Brasil vão acordar mais pobres. Sylvia Orthof não está mais aqui pra inventar maluquices. Mas calma lá, molecada! Que tristeza que nada! Vocês têm aí mais de cem livros da Sylvia, para ler e reler. Vocês ganharam o primeiro prêmio, estão milionários! E nem precisaram jogar.



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